quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Honorabilidade


Depois do tribunal lhe ter dado razão, Ramalho Eanes abdicou de mais de 1,3 milhões de euros em retroactivos a que tinha direito relativos à reforma como general, que nunca recebeu devido ao facto de já receber outra reforma do Estado. Sobre a justiça de tal decisão (e acumulação) muito ficará (e estará) por dizer. Sobre a honorabilidade do general, o acto vale mais que qualquer palavra.

CP

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Castro Verde mostra cultura do Mediterrâneo


É já uma tradição. Ano após ano, sempre no mês de Setembro, o Mediterrâneo “galga” as margens da sua bacia afro-europeia e vem “desaguar”, durante um fim-de-semana, em Castro Verde. O resultado é o festival Planície Mediterrânica, iniciativa da Câmara Municipal local no âmbito da rede cultural Sete Sóis Sete Luas, que arranca esta sexta-feira, 12, e promete levar muita animação ao concelho do Campo Branco até domingo.
Música, oficinas de danças de tradição, polifonias alentejanas, exposições e muita gastronomia voltam a ser este ano os destaques do certame, que ambiciona, mais uma vez, constituir-se enquanto espaço de “partilha” e “construção” de valores, hábitos e costumes.
A abrir as “hostilidades” da Planície Mediterrânica vão estar os “Ganhões de Castro Verde” e a Orquestra Med’Set (criada no âmbito da rede Sete Sóis Sete Luas e composta por músicas portugueses, espanhóis, italianos e argelinos), que actuam no cine-teatro municipal pelas 21h30 de sexta-feira, 12. Antes, serão inauguradas as diversas exposições que vão estar patentes durante os dias do festival, enquanto que depois haverá baile com os portugueses No Mazurka Band e os italianos Triatriba (23h00), a abrir o apetite para “A Hora do Mata-bicho” (00h30).
No sábado, 13, a Planície Mediterrânica continua com diversos workshops e oficinas de dança, estando reservado para o final da tarde (18h30) o desfile e actuação dos espanhóis Xeremiers de Son Roca, do tocador de flauta de tamborileiro Diogo Leal e do grupo coral “As Vozes de Casével”. De noite, há música com o grupo de Violas Campaniças, os marroquinos Samira Kadiri & Arabesque e os italianos Assurd (21h30), antes do baile com os portugueses Farra Fanfarra (23h45).
O festival termina no domingo, 14, com mais workshops, um almoço “no altar do céu”, baile de danças de tradição, cante alentejano (com os espanhóis La Comparsa e os portugueses “Os Carapinhas de Castro Verde” e “Os Cardadores da Sete”) e teatro de rua, antes do concerto de encerramento, às 22h00, com as “Camponesas de Castro Verde” e a recém-criada Sete Sóis Orkestra [na foto].

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A agonia de Beja


A cidade de Beja está adormecida! O tórrido calor de Agosto e as centenas de veraneantes que procuraram outros lugares deixaram-na ainda mais sossegada e triste, talvez à espera de novos “amanhãs que cantam” ou de uma varinha de condão que acabe com o seu profundo estado depressivo. Para isso muito contribui o actual executivo camarário, que já leva quase três anos de trabalho, enredado numa exasperante falta de dinâmica e num jogo de pura táctica política.
A aquisição do ex-vereador socialista José Monge não parece ter sido grande ajuda para resolver o problema de algumas escolas e, por isso, há alunos que vão ter de continuar no Regimento de Infantaria. A solução até pode ser boa, mas o lugar das crianças é nas escolas… não num quartel! Em pleno Verão, este ano como sempre, as piscinas voltaram a abrir mais tarde do que todas as outras da região. No mercado municipal há assaltos, abandono, desalento dos comerciantes e falta de clientes. No comércio local há portas fechadas, montras corridas e um desânimo que mete impressão. O trânsito é o labirinto que há muito tempo se sabe e os parques de estacionamento subterrâneos estão às moscas. Já só faltava ter o Castelo fechado em Agosto! Coisa pouca, numa cidade onde o número de turistas nem sequer é animador e o monumento mais emblemático é precisamente a aquela distinta torre de menagem.
Dirão alguns que este é um quadro pessimista, mas a verdade é que não temos outro. Beja tarda em dar um pulo e abrir os horizontes! A cidade não pode continuar apenas a sobreviver, com uma gestão feita aos bochechos e assente em pequenas obras cirúrgicas, para captar votos e animar a malta!
É verdade que este executivo teve o condão de pôr as contas em ordem. Mas vale a pena recordar que, se os cofres estavam em “desordem”, a responsabilidade é exclusivamente da anterior maioria comunista liderada por Carreira Marques! Portanto, com três anos de trabalho, a CDU tinha a obrigação e a responsabilidade de apresentar em Beja muito mais do que uma mão-cheia de nada.

AJB

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Partidos


A cidade de Beja recebeu recentemente a visita de responsáveis pelo Movimento Mérito e Sociedade (MMS), o mais recente partido do espectro político nacional. Fundado pelo consultor e docente universitário Eduardo Correia, o MMS veio apresentar-se aos bejenses como um partido que, um pouco à boleia da “febre Obama”, pretende contribuir para tornar Portugal numa sociedade “mais eficiente e inovadora”, com “um modelo de governação orientado para a qualidade de vida dos cidadãos”.
Objectivos louváveis que, à partida, parecem condenados ao insucesso, pelo menos no actual (e imutável) sistema partidário português. Em Portugal, a política é como o futebol. Neste último, existem os três “grandes” e os demais clubes giram em sua volta. Na política, predominam os partidos já existentes, sobrando para os restantes movimentos/ pseudo-partidos um papel figurativo.
Daí que as mudanças necessárias na política portuguesa devem provir de dentro dos partidos e não destas novas estruturas similares, entretanto “maquilhadas” de movimentos cívicos. Porque é de dentro para fora que as sociedades se transformam. E só quando os actuais responsáveis partidários admitirem esta necessidade de mudar será possível combater o conservadorismo, o caciquismo e as “teias de aranha” no discurso que tantos criticam.

CP

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A vitória do egoísmo


“A imprensa italiana noticiou esta semana a ‘indiferença’ dos banhistas que almoçavam e apanhavam Sol numa praia de Torregaveta, a escassos metros dos corpos de duas crianças ciganas que morreram afogadas. Segundo o jornal ‘La Repubblica’, Violetta e Cristina, de 11 e 12 anos, vendiam objectos na praia, na zona de Nápoles, com outras duas amigas (de 15 e oito anos) quando terão decidido tomar banho no mar. As raparigas não saberiam nadar e ter-se-ão afogado quando foram apanhadas numa onda. Os nadadores-salvadores só conseguiram salvar as amigas de Violetta e Cristina. Os seus corpos foram levados até à praia e cobertos com toalhas, o que atraiu a curiosidade dos banhistas. Mas por pouco tempo, porque depois dispersaram lentamente. Uma hora depois chegou a polícia que levou os corpos. Durante este tempo, poucos foram aqueles que deixaram de apanhar Sol ou de almoçar, a escassos metros dos corpos das crianças”.
A notícia foi recentemente editada no jornal “Público” e põe a nu a mais dura realidade em que vivemos. Perante a desgraça das minorias, o desalento dos pobres e o sofrimento dos mais desfavorecidos, há uma sociedade globalizada, cada vez mais insensível e debruçada sobre os seus compromissos egoístas.
Que faz cada um de nós para contrariar este quadro crescente de desumanização? Para onde caminha o nosso mundo, onde os valores individuais há muito que superaram a solidariedade, o compromisso colectivo e a relação fraterna entre as pessoas e os povos, independentemente das suas raças e credos?
Infelizmente, nem as sociedades nem os governantes agem para abrandar o problema. O que conta cada vez mais são as contas correntes de uma sociedade concentrada na economia e no valor do dinheiro. Com isto, estamos envolvidos numa equação cujo resultado está à vista: mais pobreza e mais desumanidade; mais egoísmo e mais consumo; mais indiferença e mais desalento. E que contributo dá cada um de nós para contrariar este estado de coisas? É uma boa pergunta, sobre a qual devemos ponderar e reflectir. Para percebermos se a culpa é apenas dos outros…

AJB

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Associativismo em crise


Certo dia, passava os olhos pelo extinto semanário desportivo “Topo Sul” e reencontrava muitas caras conhecidas, mas com os rostos bem mais joviais, com menos rugas e cabelos mais fartos. Apercebi-me então o quanto envelhecemos durante 10, 15 anos ou de como o tempo pode alterar drasticamente muita da nossa fisionomia.
Mas esta viagem pelo passado recente da região – ainda que filtrado pelas páginas de um jornal desportivo – serviu, igualmente, para constatar algo que é por demais evidente: somos cada vez menos. E quase sempre os mesmos a fazer as mesmas coisas. Dos jornalistas aos futebolistas. Dos políticos aos treinadores. Dos empresários aos dirigentes. E estes são sinais preocupantes para uma região que se encontra ainda no limbo entre o desejado desenvolvimento sustentado e a anunciada desertificação humana.
Com o passar dos anos, o Baixo Alentejo não soube renovar as suas gerações nem tão pouco segurar os poucos jovens que por cá nasceram. E com o avançar dos tempos, a região envelheceu, tornou-se depressiva e azeda, incapaz de encontrar alternativas que a catapultassem para outros estádios de desenvolvimento. Será culpa dos governos? Talvez… Dos políticos? Também… Mas a culpa é, sobretudo, de todos nós!
Mais que a falta de dinâmica económica, a região deixou-se enredar numa preocupante crise humana, sem pessoas interessadas e despidas de causas. Como escrevi no início do ano, nos tempos em que as dificuldades eram muitas e as condições de trabalho poucas, era comum os baixo-alentejanos abraçarem com vigor a causa das associações das suas terras. Mas hoje são poucos aqueles que disponibilizam o seu escasso tempo para o bem comum. Será apenas desinteresse ou também desilusão?
Neste quadro pardo, é difícil apontar soluções de forma clara e executá-las de maneira ainda mais eficaz. Afinal, este é um problema civilizacional, que atravessa o mundo de lés-a-lés e se torna ainda mais evidente no Baixo Alentejo. Mas há que combatê-lo. Desde logo na escola, apostando na formação e no civismo. E depois no seio das próprias colectividades, estimulando os mais novos a participarem de forma activa na sua vida e não fechando os “gabinetes do poder” à crítica ou restringindo-os aos “suspeitos do costume”. Pois se nem os diamantes são eternos, porque só agora alguns dirigentes compreenderam isso?

PS - A crise do associativismo regional tem agora como "exemplo prático" o adeus do Entradense ao futebol sénior. Algo que não deve ser encarado com a leveza de um assunto típico da silly season regional, mas sim levantar a reflexão. Porque mais portas podem estar para fechar. Hoje ou amanhã!

CP

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Noite de blues em Aljustrel


O Espaço Oficinas de Formação e a Animação Cultural de Aljustrel acolhe na noite desta sexta-feira, 4, às 22 horas, uma noite de blues com o grupo Old Blues Band. Com três músicos residentes e mais de dez anos de existência, a Old Blues Band é oriunda do Barreiro e conta com largas dezenas de espectáculos um pouco por todo o país. Este serão musical vem dar continuidade à iniciativa de “Animação do Pátio” que pretende oferecer ao público, às sextas-feiras, de 15 em 15 dias, até ao mês de Setembro, um espectáculo “que se destacará pela qualidade dos artistas”. O próximo espectáculo está previsto para o dia 11 de Julho, com a actuação da banda Anaquim.