quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Partidos


A cidade de Beja recebeu recentemente a visita de responsáveis pelo Movimento Mérito e Sociedade (MMS), o mais recente partido do espectro político nacional. Fundado pelo consultor e docente universitário Eduardo Correia, o MMS veio apresentar-se aos bejenses como um partido que, um pouco à boleia da “febre Obama”, pretende contribuir para tornar Portugal numa sociedade “mais eficiente e inovadora”, com “um modelo de governação orientado para a qualidade de vida dos cidadãos”.
Objectivos louváveis que, à partida, parecem condenados ao insucesso, pelo menos no actual (e imutável) sistema partidário português. Em Portugal, a política é como o futebol. Neste último, existem os três “grandes” e os demais clubes giram em sua volta. Na política, predominam os partidos já existentes, sobrando para os restantes movimentos/ pseudo-partidos um papel figurativo.
Daí que as mudanças necessárias na política portuguesa devem provir de dentro dos partidos e não destas novas estruturas similares, entretanto “maquilhadas” de movimentos cívicos. Porque é de dentro para fora que as sociedades se transformam. E só quando os actuais responsáveis partidários admitirem esta necessidade de mudar será possível combater o conservadorismo, o caciquismo e as “teias de aranha” no discurso que tantos criticam.

CP

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A vitória do egoísmo


“A imprensa italiana noticiou esta semana a ‘indiferença’ dos banhistas que almoçavam e apanhavam Sol numa praia de Torregaveta, a escassos metros dos corpos de duas crianças ciganas que morreram afogadas. Segundo o jornal ‘La Repubblica’, Violetta e Cristina, de 11 e 12 anos, vendiam objectos na praia, na zona de Nápoles, com outras duas amigas (de 15 e oito anos) quando terão decidido tomar banho no mar. As raparigas não saberiam nadar e ter-se-ão afogado quando foram apanhadas numa onda. Os nadadores-salvadores só conseguiram salvar as amigas de Violetta e Cristina. Os seus corpos foram levados até à praia e cobertos com toalhas, o que atraiu a curiosidade dos banhistas. Mas por pouco tempo, porque depois dispersaram lentamente. Uma hora depois chegou a polícia que levou os corpos. Durante este tempo, poucos foram aqueles que deixaram de apanhar Sol ou de almoçar, a escassos metros dos corpos das crianças”.
A notícia foi recentemente editada no jornal “Público” e põe a nu a mais dura realidade em que vivemos. Perante a desgraça das minorias, o desalento dos pobres e o sofrimento dos mais desfavorecidos, há uma sociedade globalizada, cada vez mais insensível e debruçada sobre os seus compromissos egoístas.
Que faz cada um de nós para contrariar este quadro crescente de desumanização? Para onde caminha o nosso mundo, onde os valores individuais há muito que superaram a solidariedade, o compromisso colectivo e a relação fraterna entre as pessoas e os povos, independentemente das suas raças e credos?
Infelizmente, nem as sociedades nem os governantes agem para abrandar o problema. O que conta cada vez mais são as contas correntes de uma sociedade concentrada na economia e no valor do dinheiro. Com isto, estamos envolvidos numa equação cujo resultado está à vista: mais pobreza e mais desumanidade; mais egoísmo e mais consumo; mais indiferença e mais desalento. E que contributo dá cada um de nós para contrariar este estado de coisas? É uma boa pergunta, sobre a qual devemos ponderar e reflectir. Para percebermos se a culpa é apenas dos outros…

AJB

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Associativismo em crise


Certo dia, passava os olhos pelo extinto semanário desportivo “Topo Sul” e reencontrava muitas caras conhecidas, mas com os rostos bem mais joviais, com menos rugas e cabelos mais fartos. Apercebi-me então o quanto envelhecemos durante 10, 15 anos ou de como o tempo pode alterar drasticamente muita da nossa fisionomia.
Mas esta viagem pelo passado recente da região – ainda que filtrado pelas páginas de um jornal desportivo – serviu, igualmente, para constatar algo que é por demais evidente: somos cada vez menos. E quase sempre os mesmos a fazer as mesmas coisas. Dos jornalistas aos futebolistas. Dos políticos aos treinadores. Dos empresários aos dirigentes. E estes são sinais preocupantes para uma região que se encontra ainda no limbo entre o desejado desenvolvimento sustentado e a anunciada desertificação humana.
Com o passar dos anos, o Baixo Alentejo não soube renovar as suas gerações nem tão pouco segurar os poucos jovens que por cá nasceram. E com o avançar dos tempos, a região envelheceu, tornou-se depressiva e azeda, incapaz de encontrar alternativas que a catapultassem para outros estádios de desenvolvimento. Será culpa dos governos? Talvez… Dos políticos? Também… Mas a culpa é, sobretudo, de todos nós!
Mais que a falta de dinâmica económica, a região deixou-se enredar numa preocupante crise humana, sem pessoas interessadas e despidas de causas. Como escrevi no início do ano, nos tempos em que as dificuldades eram muitas e as condições de trabalho poucas, era comum os baixo-alentejanos abraçarem com vigor a causa das associações das suas terras. Mas hoje são poucos aqueles que disponibilizam o seu escasso tempo para o bem comum. Será apenas desinteresse ou também desilusão?
Neste quadro pardo, é difícil apontar soluções de forma clara e executá-las de maneira ainda mais eficaz. Afinal, este é um problema civilizacional, que atravessa o mundo de lés-a-lés e se torna ainda mais evidente no Baixo Alentejo. Mas há que combatê-lo. Desde logo na escola, apostando na formação e no civismo. E depois no seio das próprias colectividades, estimulando os mais novos a participarem de forma activa na sua vida e não fechando os “gabinetes do poder” à crítica ou restringindo-os aos “suspeitos do costume”. Pois se nem os diamantes são eternos, porque só agora alguns dirigentes compreenderam isso?

PS - A crise do associativismo regional tem agora como "exemplo prático" o adeus do Entradense ao futebol sénior. Algo que não deve ser encarado com a leveza de um assunto típico da silly season regional, mas sim levantar a reflexão. Porque mais portas podem estar para fechar. Hoje ou amanhã!

CP

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Noite de blues em Aljustrel


O Espaço Oficinas de Formação e a Animação Cultural de Aljustrel acolhe na noite desta sexta-feira, 4, às 22 horas, uma noite de blues com o grupo Old Blues Band. Com três músicos residentes e mais de dez anos de existência, a Old Blues Band é oriunda do Barreiro e conta com largas dezenas de espectáculos um pouco por todo o país. Este serão musical vem dar continuidade à iniciativa de “Animação do Pátio” que pretende oferecer ao público, às sextas-feiras, de 15 em 15 dias, até ao mês de Setembro, um espectáculo “que se destacará pela qualidade dos artistas”. O próximo espectáculo está previsto para o dia 11 de Julho, com a actuação da banda Anaquim.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Miguel e o país


Miguel Beleza foi ministro das Finanças de Cavaco Silva e, há poucas semanas, numa conversa em directo na Antena 1, no programa “Causa Nostra”, defendeu coisas verdadeiramente inesperadas. Ou talvez não! Disse, por exemplo, que não se importava de ser secretário de Estado de Pina Moura ou de Teixeira dos Santos. E até admitiu poder pertencer a um Governo de Guterres. Contudo, manifestou-se um convicto social-democrata e toda a gente o viu na televisão e nos jornais a abraçar calorosamente Manuela Ferreira Leite. Na verdade, Miguel Beleza é um político frontal e de bem com a vida. Um homem que pensa pela sua cabeça e que contorna a crise lembrando que o desemprego e a inflação são dos mais baixos da Europa. E que Lisboa “está cheia de turistas”. Ou seja, segundo este homem, Portugal não pode queixar-se muito e deve apostar cada vez mais no turismo – uma indústria limpa e muito lucrativa – e cada vez menos em sectores onde não pode ser competitivo. Pode ser que Miguel Beleza não tenha razão, mas tudo o que ele diz, com assombrosa simplicidade, dá muito que pensar!


AJB

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Aljustrel recebe exposição de fotografia

A fotografia terá um lugar de destaque a partir deste sábado, 21, na Biblioteca Municipal de Aljustrel com a inauguração da exposição “O Colectivo”do grupo F2.8, um colectivo de fotografia constituído em 2006. Trata-se de um grupo heterogéneo de fotógrafos com perspectivas e trabalhos bem diversos, mas com um ponto em comum: a dedicação à imagem e à fotografia. Partilhando a convicção de que a diversidade das visões, dos materiais, dos suportes, das técnicas, das temáticas, é acima de tudo enriquecedora, é, também, com essa diversidade que se movem enquanto ‘colectivo de fotografia’. O grupo já marcou presença em várias exposições no país, para além dos muitos projectos que têm, actualmente, em fase de realização. A exposição estará patente ao público até ao dia 31 de Julho.

Música moçambicana em Aljustrel


O grupo de música moçambicana Timbila Muzimba vai dar início esta sexta-feira, 20, às 22h00, ao primeiro espectáculo que a Câmara Municipal de Aljustrel tem agendado para este Verão, no âmbito da iniciativa “Animação do Pátio”, no Espaço Oficinas de Animação e Formação Cultural. Iniciativas semelhantes vão decorrer de 15 em 15 dias, sempre à sexta-feira, de Junho a Setembro, estando prevista a apresentação de variadíssimos momentos musicais.